_____sobre meditação_____sobre inquérito_____sobre compaixão_____

“A meditação é a acção do silêncio.”
J. Krishnamurti
“A meditação é estar ciente de cada pensamento e de cada sensação, nunca para dizer se está certo ou errado mas apenas para o observar e apreender o seu movimento. Nesta observação começamos a compreender todo o movimento dos pensamentos e das sensações. E desta sensibilidade vem o silêncio.”
J. Krishnamurti
“Meditar não significa lutar contra um problema. Meditar significa observar. O teu sorriso prova-o. Prova que estás a ser amável contigo mesmo, que o sol da sensibilidade brilha dentro de ti, que tens o controlo sobre a tua situação. Tu és tu próprio e adquiriste alguma paz.”
Thich Nhat Hanh
Para além da curva da estrada
Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado e para aquilo que não vejo
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que não estamos lá.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.
Alberto Caeiro (1914)
in Poemas Inconjuntos.
Vive
Vive, dizes, no presente,
Vive só no presente.
Mas eu não quero o presente, quero a realidade;
Quero as cousas que existem, não o tempo que as mede.
O que é o presente?
É uma cousa relativa ao passado e ao futuro.
É uma cousa que existe em virtude de outras cousas existirem.
Eu quero só a realidade, as cousas sem presente.
Não quero incluir o tempo no meu esquema.
Não quero pensar nas cousas como presentes; quero pensar nelas como cousas.
Não quero separá-las de si-próprias, tratando-as por presentes.
Eu nem por reais as devia tratar.
Eu não as devia tratar por nada.
Eu devia vê-las, apenas vê-las;
Vê-las até não poder pensar nelas,
Vê-las sem tempo, nem espaço,
Ver podendo dispensar tudo menos o que se vê.
É esta a ciência de ver, que não é nenhuma.
Alberto Caeiro (1920)
in Poemas Inconjuntos.
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